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Como quem não quer A Coisa

Como quem não quer A Coisa

16
Nov18

Stay with me...

O Coiso

Stay With Me - Shakespear Sisters

Domingo, seis da tarde. O fim de semana havia sido passado rápido demais. Conhecer-te na sexta-feira e levares-me para o que pensámos ser uma one night stand sem grandes consequências. Assim que entrámos na tua casa mostraste ao que vinhas e ainda antes de tirares o casaco que te protegia do frio cortante da rua, colaste os teus lábios nos meus e procuraste com a tua língua a minha.

Naquele frenesim de despir a muita roupa que trazíamos da rua, mirei-te com atenção. E compreendi as tuas reticências. Os verdes anos da juventude já haviam passado e o teu corpo já mostrava isso mesmo. O teu peito já não tinha a robustez e firmeza de outros tempos e a gravidade já tinha tomado rédeas sobre o que antes deveria ter sido um fabuloso e altivo par de mamas. Os mamilos massacrados por duas gravidezes e posteriores amamentações. As estrias dessas mesmas gravidezes. A idade que anunciaste quando nos conhecemos e me chamaste miúdo no alto dos meus quase quarenta anos, a mostrar-se gloriosa mas humilhada perante os meus olhos.

Na cama, mostraste que a fogosidade já não era a mesma do antigamente, mas com esforço, dedicação e muita mestria levaste-me facilmente a um orgasmo que até a ti te surpreendeu pela força e entrega. Porque eu sou assim, minha linda. Entrego tudo. E por causa desse mesmo orgasmo e dos três que te havia provocado, perguntaste-me à saída do duche se queria passar a noite contigo. Aceitei sem reservas. E fui ficando até domingo ao fim da tarde.

Agora, estamos sentados no sofá a beber um chá. Já estou vestido com uma roupa nova que fui comprar à superfície comercial perto de tua casa. As calças com a bainha por fazer e a camisa demasiado berrante dão-me um ligeiro ar de maluquinho da aldeia e tu sorris jocosamente: "pareces um tonto, mas gosto". E eu sorrio e dou-te uma cotovelada brincalhona. E olho para ti, olhos nos olhos.

A cumplicidade do nosso olhar, mais uma vez, leva-nos a dar um beijo. Como tantos que demos e que iniciaram coisas tão boas. Chegas-te para mais perto de mim e metes-me a mão no peito, enquanto as nossas línguas trocam carícias. A minha mão percorre o teu cabelo primeiro, depois a tua bochecha, depois dos ombros para as costas, depois para o cóccis. Puxo-te ligeiramente para mim e, desta vez, tomo a iniciativa e meto a minha língua na tua boca com alguma força, alguma urgência.

Rapidamente a tua mão sai do meu peito e vai para a minha perna. E depois sobe. E sentes o meu pau já duro com uma mão suave e conhecedora.

"Então miúdo, pensas que eu tenho 20 anos? Já não dá mais..."

"Não sejas cota, sabes tão bem como eu que estás aí cheia de vontade". E na sequência destas palavras, habilmente abro o teu soutien apenas com a mão direita.

"Deves ter a mania, deves. Daqui não levas nada!" E beijas-me dizendo com a tua boca e mão precisamente o contrário.

Eu deixei-me, mais uma vez, levar na loucura, no carrossel. Pela última vez, fizemos uma espécie de amor. Uma espécie de sexo. Demos uma foda que não foi uma foda. Foi antes o libertar de uma vontade animalesca de sentir prazer. Sabíamos que era a última e quisemos disfrutar condignamente dela. Não havia a possibilidade de estarmos juntos novamente. Não trocámos números de telefone. Apenas desfrutámos, num fim de semana chuvoso e frio, do corpo um do outro.

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